17 de dezembro de 2012

Guerra ao Terror X Avatar


Uma das maiores injustiças cometidas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pela entrega do Oscar, foi elevar Guerra ao Terror como maior vencedor do prêmio de 2010 conquistando 06 estatuetas, entre elas as mais importantes: melhor filme, direção e roteiro original. Enquanto Avatar garantiu apenas 03 prêmios, todos de ordem técnica. O que levou Guerra ao Terror ao topo da premiação não foi o lado artístico, mas sim o apelo político do longa.

Após a posse de Barack Obama, em 2009, as especulações sobre o término da Guerra do Iraque ganharam corpo, fruto da própria promessa do presidente dos Estados Unidos. A invasão do Iraque começou no início de 2003 com o argumento de que o país do oriente médio estava desenvolvendo armas de destruição em massa, ameaçando a segurança mundial, outra frente defendia que Saddam Hussein estava ligado com a Al-Qaeda. Nenhuma das hipóteses foi comprovada.

A ausência de provas condizentes com a acusação de terrorismo contra o Iraque levou George W. Bush, na época presidente estadunidense, a uma posição delicada. A instabilidade levou a confrontos civis entre xiitas e sunitas, a insurgência iraquiana e a presença da Al-Qaeda. Esses fatos culminaram com a retirada de algumas tropas de países aliados aos Estados Unidos. Especula-se que a invasão do Iraque não fora por questões militares, mas sim econômicas. Declarações controversas revelam um interesse do governo de Bush no petróleo iraquiano. Em 2009 uma partilha dos poços do país foi feita e alguns países obtiveram o direito de exploração na região. Curiosamente esses países não tinham nada em comum com a guerra, o que elimina as suspeitas dessa tese, no entanto, a partilha enfraqueceu o Iraque como fornecedor monopolista e formador de preços de alguns mercados. Essa talvez fosse a real intenção da invasão, tirar o controle petrolífero de um país em regime ditatorial. A Coréia do Norte manipula armas nucleares e possui um governo comunista e unilateral, mas não foi invadido, talvez isto se deva ao fato de não possuir petróleo ou riquezas minerais.

Ben Stiller e Bigelow na entrega do Oscar de 2010
Neste ínterim político Guerra ao Terror surge como grito de guerra a favor da luta política e a eleva a um patamar de heroísmo. O filme faturou os principais prêmios com um roteiro que enfatiza o trabalho dos soldados americanos contra o terrorismo inexistente do Iraque. Enquanto Avatar que detém ainda hoje a maior bilheteria de todos os tempos e contando com um roteiro que, com o perdão da redundância, explora a exploração humana de recursos naturais, obteve apenas 03 prêmios de ordem técnica. Avatar rebate exatamente no ponto controverso da invasão do Iraque, que teve um pretexto vago com uma finalidade que não levou em consideração os meios.

Matt Damon em Zona Verde
No ano seguinte, 2010, Zona Verde (Green Zone), estrelado por Matt Damon e dirigido por Paul Greengrass, mostra o avesso de Guerra ao Terror. O personagem de Damon, Roy Miller, é líder de um grupo de inteligência em Bagdá que busca evidências concretas que justificassem a invasão do Iraque. Mas o cenário que descobrem desacredita toda a operação bélica realizada pelos EUA.

Esse assunto toma força nesse momento em que Kathryn Bigelow figura nas listas prévias do Oscar, despontando com favoritismo com seu longa A Hora mais Escura (Zero Dark Thirty), traz um novo roteiro político: a maior caçada humana de todos os tempos, Osama Bin Laden. Uma premiação a este filme coroaria a gestão de Obama e contradiria a tradição da Academia em não premiar um diretor duas vezes em um curto espaço de tempo. Ainda que Kathryn não ganhe outros dois longas com ambientação política concorrem: Argo, de Ben Affleck, que conta a história de um resgate da CIA no Irã em 1979 e Lincoln, de Steven Spielberg, que retrata os últimos dias de um dos mais importantes presidentes dos EUA.

Curiosamente Bigelow é ex-mulher de James Cameron, criador de Avatar e de Titanic os dois filmes mais rentáveis da história. Não gostaria que A Hora mais Escura levasse os prêmios principais, visto que outras boas produções merecem visibilidade enquanto a política já exibe popularidade de sobra entre os cidadãos do primeiro mundo.

Que o cinema esteja com vocês!