15 de abril de 2013

Forrest Gump (1994)


Os sapatos dizem muito sobre uma pessoa, pra onde vão, onde estiveram.” Com essas palavras Forrest Gump inicia sua odisseia recheada de aventura, reflexões e descobertas. Fazendo uma analogia à narrativa, sinto-me descalço e com os pés nos chão. Gump é a inspiração para buscarmos as nuvens. Forrest Gump – O Contador de Histórias, título no Brasil, foi alvo de uma grande polêmica no cenário cinematográfico mundial. Foi Indicado a treze Oscars e sagrou-se vitorioso em seis categorias, incluindo melhor filme, diretor e ator. A polêmica ficou por conta de um dos concorrentes aos prêmios principais: Pulp Fiction.

Forrest Gump aborda a pureza enquanto Pulp Fiction a perda dela. A sentença: Corre Forrest! Corre! Também nos introduz no País das Maravilhas e somos impelidos a seguir o Coelho Maluco toca adentro. Em Pulp Fiction somos expulsos da toca sem máculas, os ideais Kitsch de nosso mundo são bombardeados com a realidade nua e crua.

Tom Hanks
O longa realizado por Robert Zemeckis, com roteiro de Eric Roth (O Curioso Caso de Benjamin Button) possui méritos congêneres com o filme dirigido e escrito por Quentin Tarantino. A inventividade e inovação dos roteiros, a trilha sonora que dá vivacidade às cenas e personagens caricatos que agem como símbolos das histórias, como é o caso do próprio Forrest interpretado por Tom Hanks que ganhou o Oscar de melhor ator por sua performance, são o diferencial para todas as outras produções do ano de 1994.

A inocência é o momento em que as descobertas ocorrem, talvez esse seja o fato para que a vida de Forrest Gump seja tão intensa e repleta de descobertas. Quando perdemos a inocência deixamos pra trás a capacidade de nos impressionar e descobrir coisas novas, abandonamos a criança que há em nós. O roteiro enfatiza a ingenuidade que dá vida às circunstâncias mais inusitadas e anda lado a lado com a fé, com a segurança que sentimos ao segurar as mãos firmes de nossos pais e principalmente sendo a criança ávida por desafios e cheia de confiança, como um garoto que desconhece a derrota e vive sem medo de perder ou sem querer ganhar. Ele apenas vive!

Robin Wright Penn
Sally Field vive a mãe de Forrest, a Caixa de Pandora que jamais encontra Prometeu, desta forma ensina ao filho que o idiota é aquele que faz idiotices. E encobre a deficiência moral dele, sua incapacidade de compreender o imoral. Gary Sinise interpreta o Tenente Dan que aprende com Forrest que além da honra existe a vida. Robin Wright Penn vive o primeiro amor imaculado que encarna a própria perfeição, Jenny Curran sempre fugiu dele, mas o ensinou a fugir também, desta forma ele correu, mas por mais que corressem o amor sempre os reencontrava. Vale citar a primeira aparição de Haley Joel Osment em um filme com apenas 6 anos de idade.

Lennon e Gump
A trilha sonora é um convite à sociedade hippie e ao período que marcou a adolescência da revolução estudantil, um grito de liberdade em tempos de guerra, um brado de pessoas que mostraram o inconformismo com os ideais democráticos e sangrentos, o clamor de quem tinha algo a dizer: The Doors, Lynyrd Skynyrd, Creedence, Jimi Hendrix entre outros, deixam seu rastro de poesia em Forrest Gump. Como guru do movimento em prol da pacificação está John Lennon, que em 1971 esteve no programa de entrevistas The Dick Cavett Show ao lado de Yoko Ono, utilizando as novas técnicas da era da cinegrafia digital Eric Roth incluiu Forrest ao lado de Lennon, semelhante às inserções realizadas em Zelig, por Woody Allen. Dick Cavett pergunta a Forrest sobre a vida na Ásia, ele acabara de retornar da Guerra do Vietnã, e este responde que na China as pessoas não possuem nada e não têm religião. O entrevistador diz ser difícil imaginar algo assim e Lennon responde: é fácil se você tentar. Esses trechos compõe a canção Imagine. Além de Lennon ele encontra pessoas como Nixon, Kenedy e inúmeros figurões da época.

Confira o trailer:

É engraçado as coisas que lembramos.” Assim brinca Forrest com as tristes verdades de nossa vida travestidas em grandes risadas e descrença em si mesmo. Pulp Fiction brinca com as tristes verdades que dançam ao som de balas perdidas no meio da noite de nosso juízo moral. Continua...

...e que o cinema esteja com vocês!