26 de dezembro de 2013

Jobs (2013)

O malfadado Jobs não representa nem a sombra de Steve Jobs. Ashton Kutcher, apesar de ter desempenhado o melhor papel da carreira, apenas caricaturou o genial criador da Apple no que parece mais uma de suas comédias adolescentes, principalmente o modo de andar e o olhar fixo que não esconde a ambição e foco de Jobs, mas sim, no papel de Kutcher, o riso da falta de seriedade de sua atuação forçada. Seja pela pressa em apresentar algo de forma oportunista sobre o criador do i-Pod, ou pelo despreparo de toda equipe em realizar obra tão grandiosa, a verdade é que Jobs não espelha o tamanho do que almeja e muito menos o tamanho de quem retrata.

Dirigido por Joshua Michael Stern e escrito por Matt Whiteley Jobs foi lançado no Festival de Sundance no início de 2013. De cara não agradou Steve Wozniak,co-fundador da Apple com Steve Jobs, que disse após ver o filme que: suspeito que muito que há de errado no filme veio da própria visão que Kutcher tem de Jobs. O roteiro não conseguiu impor a imagem de Guru a Steve Jobs e ficou bastante confuso ao que se refere a seu lado emocional, nem mau caráter nem genial, aliás, o filme nos passa a visão dualista de Jobs como se ele fosse apenas isso, ora o genial criador da Apple, ora o ingrato traidor dos amigos, mas o que sobressai a toda trama é Kutcher representando um papel ruim.

Kutcher X Jobs

Se a biografia de Jobs escrita por Walter Isaacson possui um tom de impessoalidade romântica, o filme de Stern fragmenta várias fases da vida de Steve e as une de forma equívoca e vazia. Não somos capazes de conhecer Jobs no filme como o fazemos no livro, Whiteley falhou ao criar um roteiro como livro de citações no qual vemos momentos marcantes da vida de Jobs e só! As brigas com os amigos e a mãe de sua primogênita foram descontextualizadas, da mesma forma a criatividade de Jobs e todos aqueles que iniciaram na garagem da casa de seu pai o que viria a tornar-se a empresa maia valiosa do mundo beira brincadeira infantil de fim de semana.



Impossível não realizar uma comparação com Piratas do Vale do Silício que retratou o início de Steve Jobs e Bill Gates, o principal trunfo dessa obra é a naturalidade e despretensão. Atuações simples e roteiro engraçado conseguiram atingir a finalidade e mensagem propostas pelo filme. O que é uma pena, pois a caracterização de Jobs feita por Kutcher parecia tão boa!

Confira o trailer:

Quando Steve Jobs disse: “Stay hungry, stay foolish” não imaginou que apenas a última parte fosse entendida ao representa-lo.

Stay hungry, stay foolish and stay with cinema!