27 de maio de 2014

Festival de Cannes - 2014

Um dos mais importantes e tradicionais festivais de cinema do mundo realizou sua 67ª edição no último dia 24 em Cannes, França. O grande vencedor da Palma de Ouro foi o filme turco de Nuri Bilge Ceylan que em 2011 recebeu o Grande Prêmio do Júri por Era Uma Vez em Anatólia e em 2008 o prêmio de direção por Three Monkeys. O premiado neste ano, Winter Sleep, é um drama comportamental que envolve uma comunidade e o relacionamento de três de seus moradores, um ator aposentado, sua esposa e sua irmã. Este foi o quarto filme do diretor a ser exibido em Cannes e devido a seu prestígio no festival sua vitória era dada como certa.

Se a vitória de Winter Sleep era esperada a noite de premiações também reservou algumas surpresas. A maior delas foi a divisão do Prêmio do Júri entre o cineasta francês Jean-Luc Godard, um dos fundadores da Nouvelle Vague e mais velho do festival, e o cineasta canadense Xavier Dolan, curiosamente o mais jovem concorrente de Cannes. Adie au Langage, de Godard aborda a metáfora da vida humana entre encontros e desencontros e o acaso poético do tempo. Mommy, que carrega o sangue dramático francês de Québec, Canadá, aborda a convivência entre uma mãe viúva e seu filho problemático, quase autobiográfico.

Ceylan com o tão cobiçado prêmio

O Grande Prêmio do Júri foi para a produção italiana Le Meraviglie, de Alice Rohrwacher, uma comédia dramática sobre uma família rural da Toscana contada em formato de fábula moderna. O prêmio de ator foi para Timothy Spall que interpreta o pintor britânico J. M. W. Turner em Mr. Turner dirigido por Mike Leigh. O prêmio de melhor atriz foi para Julianne Moore por sua interpretação em Maps to the Stars de David Cronenberg, comédia que foca os bastidores da cinematografia hollywoodiana ao acompanhar duas crianças que se tornam astros e são arruinados pela depravação de Hollywood, segundo declaração do próprio Cronenberg.

Alice Rohrwacher recebendo o prêmio de Sophia Loren

A Palma de Ouro para direção foi entregue ao diretor americano Bennett Miller por seu trabalho em Foxcatcher que revive a trágica relação profissional de John Du Pont e Mark Shultz, trazendo no elenco Channing Tatum, Mark Ruffalo e Steve Carell. O prêmio para melhor roteiro foi entregue ao russo Andrey Zvyagintsev e Oleg Negin por Leviathan, um drama social impactante que aborda a relação de inúmeras pessoas com a insegurança humana. O troféu Câmara D’Or, para o melhor diretor estreante foi para Marie Amachoukeli-Barsacq, Claire Burger e Samuel Theis, por Party Girl. Por fim o prêmio de melhor curta foi para o colombiano Simón Mesa Soto por Leidi.


Bennett Miller

Uma das presenças mais importantes foi a de Quentin Tarantino, comemorando os vinte anos de Pulp Fiction que em 1994 recebia a Palma de Ouro de melhor filme, prêmio que Tarantino considera o mais importante de sua carreira pela tradição e importância do Festival de Cannes. Uma cópia de Pulp Fiction em 35mm foi exibida o que reacendeu a discussão entre o 3D e a película. Tarantino defende os filmes de 35mm, e declarou em Cannes que a morte do 35mm é a morte do cinema, da mesma forma que os amantes de música defenderam o vinil. Estudos e mais estudos visam identificar qual formato possui maior qualidade e nitidez, tirando o fato das filmagens digitais possuírem um aspecto artificial, nos demais quesitos, distribuição, custo de filmagem e cópias, elas saem na frente, mas os puristas e cinéfilos defendem o 35mm como sendo “cinema de verdade”, o que de fato é. Além do filme que consagrou Tarantino, também foi exibido um clássico de Sergio Leone em 35mm, Por um Punhado de Dólares, que conta com Clint Eastwood no papel do pistoleiro sem nome, um dos mais importantes de sua carreira. O filme pertence à coleção particular de Tarantino.

Tarantino criticou o formato digital em coletiva em Cannes

E que o cinema esteja com vocês!