28 de fevereiro de 2014

12 Anos de Escravidão (2013)

Brad Pitt pode ganhar seu primeiro Oscar na noite de 02 de março em uma atuação que não passou de 10 minutos, ao lado de Steve McQueen ele é um dos produtores de 12 Anos de Escravidão favorito ao prêmio de melhor filme. Na edição passada do Oscar minha última resenha foi justamente para o vencedor Argo que rendeu a George Clooney outro Oscar, dessa vez por seu trabalho como produtor, dos indicados ao Oscar essa será a última resenha, não sou supersticioso, mas a tendência é que o filme que retrata a escravidão forçada de Solomon Northup vença a principal disputa do prêmio mais importante do cinema e de que outro galã conhecido de Hollywood suba ao palco para receber uma das estatuetas. A presença de Pitt no longa causou polêmica na Europa onde os pôsteres do filme o traziam em destaque contrastando o homem branco ao negro.

O drama baseado no livro de memórias escrito pelo próprio Northup em 1853 foi adaptado por John Ridley e dirigido por Steve McQueen. Vencedor do Bafta McQueen causou furor em seu discurso dizendo: “Há 21 milhões de pessoas em escravidão enquanto estamos sentados. Espero que, a 150 anos a partir de agora, a nossa ambivalência não permita que outro cineasta faça este filme.” Indicado em nove categorias do Oscar 2014, incluindo melhor filme, diretor, ator principal e coadjuvante e melhor atriz coadjuvante, a obra desponta como favorita ao prêmio principal da noite. Em seu terceiro trabalho com McQueen Michael Fassbender interpreta Edwin Epps, um fazendeiro escravocrata que humilha e violenta seus escravos, Northup, vivido brilhantemente por Chiwetel Ejiofor, o conheceu em toda sua ira juntamente com Patsey (Lupita Nyong’o, minha favorita ao Oscar) escrava que sentiu na carne, literalmente, todo o mal de que o homem é capaz e ainda foi obrigada a conviver com o ciúme da esposa de Epps (Sarah Paulson). Também fazem parte do elenco Paul que vive um capataz sádico e Benedict Cumberbatch como William Ford.


Cartaz italiano que causou polêmica

12 Years a Slave (12 Anos de Escravidão, no Brasil e 12 Anos Escravo, em Portugal) foi filmado em sua maioria em Nova Orleans, próximo à fazenda em que Northup foi mantido. Em um retrato de carne e osso, que por mais que tenha sido pintado por todas as partes do mundo ainda se repete, a escravidão é refletida em nossos olhos com o sangue do sofrimento dos milhares de negros submetidos à ganância do homem. O registro feito por McQueen foi rotulado por muitos como desnecessário, da mesma forma em que A Paixão de Cristo de Mel Gibson foi muito criticada, mas se não fossem obras como essa a barbárie humana desmedida continuaria repousada em nosso leito de descaso e acomodação. É preciso lutar pela vida, pela honra e acima de tudo pela igualdade. E essa bandeira levantada deve ser carregada por todos ao menos em sinal de respeito por aqueles que serviram e ainda servem à arrogância dos homens. Mais que uma obra cinematográfica 12 Anos de Escravidão é um alerta para nossos instintos muitas vezes entorpecidos pela força do poder e ausência de caráter. Por tudo isso a noite do Oscar pode ser memorável elevando uma obra negra de um diretor negro que contou com a ajuda de vários brancos para ser erigida, ao contrário de nossos antecipados que construíam a base de sua vida sob o suor de homens inocentes que serviam apenas ao propósito alheio de orgulho, força e poder.


Confira o trailer:


Que 12 Anos de Escravidão seja eleito o melhor filme e que o cinema sempre esteja conosco!



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