14 de fevereiro de 2014

Trapaça (2013)

O novo filme do queridinho de Hollywood - David O. Russel - causou alvoroço entre críticos e amantes de cinema. Tanto pelas dez indicações recebidas ao Oscar desse ano, quanto pela comparação à obra anterior – e superestimada, diga-se de passagem – do cineasta. É inevitável que realizemos comparações entre American Hustle (Trapaça no Brasil; Golpada Americana em Portugal) e O Lado Bom da Vida que repercutiu da mesma forma na edição anterior do Oscar. Elevar Trapaça ao mesmo patamar de 12 Anos de Escravidão e Gravidade trata-se, no mínimo, de um erro de cálculo. A obra estrelada por figuras já conhecidas da cinematografia de Russel como Amy Adams, Christian Bale, Bradley Cooper, Jennifer Lawrence e Robert De Niro, ganhou status de superprodução após o lobby de Harvey Weinstein, que também conduziu a obra anterior de Russel e ainda que não seja um filme que mereça tantos méritos (O Lado Bom da Vida recebeu oito indicações ao Oscar 2013 levando uma estatueta) é melhor que Trapaça.

Cooper e Bale
A comédia American Hustle gira em torno do golpista Irving Rosenfeld (Bale), que teve seu personagem inspirado em Melvin Weinberg, que se vê obrigado a ajudar o FBI após ser descoberto pelo agente Richie DiMaso (Cooper). Ele e sua amante Sydney Prosser (Adams) que se passa pela Lady Edith Greensly são escalados para cooperar com a operação ABSCAM que visa desmascarar um grupo de políticos, entre eles o prefeito da pequena Camden, Nova Jérsei. Carmine Polito (Jeremy Renner) teve seu personagem inspirado em Angelo Errichetti e torna-se amigo íntimo de Rosenfeld o que transforma a trama em um conto moral, no qual vence quem conseguir esconder melhor sua imoralidade. Este é um dos poucos méritos da obra que ainda conta com Jennifer Lawrence no papel da esposa de Bale, Rosalyn Rosenfeld, e Robert De Niro que rouba a cena em uma curta aparição no papel do mafioso Victor Tellegio.

Bastidores de Trapaça
Bale quase imita seu papel em O Vencedor, mas sem brilho algum. Lawrence é ainda mais sem graça do que foi no papel que lhe rendeu o Oscar. Russel conduz o filme como um allegro ma non troppo, com leves doses de humor, mas com andamento vagaroso e entediante. O roteiro escrito por ele em parceria com Eric Warren Singer safa-se no fim e as atuações de Amy Adams, Bradley Cooper e Jeremy Renner são o ponto alto do longa, mas nem tão alto assim. Apostando no humor negro que o consagrou Russel constrói um filme Sessão da Tarde com o diferencial de ter caído nas graças de críticos e fãs. Além da aparição de De Niro e uma cena ao som Miles Davis o resto é história mal contada.

Resta saber até que ponto o prestígio de David O. Russel o levará, de cineasta problemático ao único a conseguir elencar quatro atores nas categorias principais do Oscar por duas vezes seguidas, será implicância, genialidade ou acaso? Os próximos capítulos dessa novela nos dirão!


Confira o trailer:


E que o cinema esteja com vocês!


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