14 de janeiro de 2014

Capitão Phillips (2013)

Definitivamente o mar não é o lugar ideal para Tom Hanks, após passar anos em uma ilha em Náufrago o ator retoma a boa forma interpretativa em seu novo personagem, que é justamente o melhor desde Chuck Noland, e também vive uma tragédia marítima. Captain Phillips (Capitão Phillips no Brasil e em Portugal) narra o ataque de piratas somalis ocorrido em abril de 2009 contra o navio dos Estados Unidos Maersk Alabama, baseado na história real do capitão Richard Phillips que se tornou refém do grupo em 2009 quando navegava próximo à costa da Somália. Dirigido por Paul Greengrass (O Ultimato Bourne), um dos atuais mestres de ação de Hollywood, o filme vem recebendo críticas positivas e é indicado como um dos favoritos ao Oscar de melhor ator principal e coadjuvante, com Tom Hanks e Barkhad Abdi.


Tom Hanks e Richard Phillips
A trama é extremamente tensa e bem trabalhada. O roteiro é baseado no livro A Captain’s Duty escrito pelo próprio Richard Phillips e a adaptação para o cinema foi realizada pelo roteirista Billy Ray. Ambientado quase que em sua totalidade no mar, as filmagens foram realizadas na costa de Malta, no Mar Mediterrâneo, a bordo do Alexander Maersk um navio porta contêineres idêntico ao Alabama e duraram 60 dias. O que mais chama a atenção no filme é a construção dos personagens, Tom Hanks surge metódico, respeitando todas as normas e agindo conforme se espera. Do outro lado temos Barkhad Abdi interpretando Abduwali Muse, jogado ao acaso em um país desconstruído por guerras civis e corrupção, que espera apenas um golpe de sorte para garantir o futuro de sua vida. O andamento do filme nos mostra e nos convence que nem sempre ter um plano e seguir as regras alcança êxito. A postura dos dois personagens retratando essas polaridades e inversões de forma convincente é o grande chamariz da obra.

Piratas Somalis
Os opostos bem desenvolvidos por Greengrass nos enchem de dualidade, como a praia somaliana repleta de homens em busca do acaso e a dimensão exorbitante dos contêineres sendo içado para o Maersk Alabama de forma ordenada permeiam a obra e dão a sensação de uma luta entre Davi e Golias. Somos sequestrados pela figura desconhecida e assustadora de Barkhad Abdi que surge arrebatador na ira provocada em um povo que foi jogado ao mar em busca de sobrevivência e é capaz de qualquer coisa para conquistar o que almeja.

A última cena do filme é o desfecho perfeito para o tom dualista imposto por Greengrass. Difícil dizer se o final é feliz ou trágico. O trauma causado aos dois personagens é imensurável e a pergunta que não quer calar é se ele poderia ser evitado ou se sua origem está ligada à luta pela própria vida.

Confira o trailer:



Que o cinema esteja com vocês!

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