6 de janeiro de 2014

O Homem do Futuro (2011)

O Homem do Futuro é o quinto filme do diretor Cláudio Torres (A Mulher Invisível) e mescla ficção científica com comédia romântica ainda que não seja original, a fórmula utilizada é divertida e prende nossa atenção. O romance, aparentemente impossível, entre Helena (Alinne Moraes) e João "Zero" (Wagner Moura) é o mote da história que conta com características fantásticas baseadas em teorias físicas que respaldam a viagem no tempo. O tom científico se reflete apenas nas confusões em que Zero se mete quando se torna o homem que veio do futuro e não transforma a película em uma experiência cansativa. A trilha sonora é um show a parte, gravadas por Wagner Moura, Tempo Perdido (Legião Urbana) e Creep (Radiohead), permeiam a obra em uma combinação perfeita com o roteiro elevando o filme ao status cult de obras conceituais como, por exemplo, Donnie Darko (2001).

Após uma desilusão amorosa ocorrida há vinte anos, João foi apelidado de “Zero” desde então sua vida foi um fracasso. Físico genial ele busca um novo meio de gerar energia através de um acelerador de partículas e, ao estilo de Hulk, testa o projeto em si mesmo e é lançado ao fatídico dia que mudou sua vida. Helena, misto de Helena de Tróia com amor imperfeito que se reinventa, mas nunca dá certo, personagem por quem Zero é apaixonado, é a pivô da ruína do personagem de Wagner Moura, ainda assim ele não consegue esquecê-la. E tenta provar que sua teoria unificada do Universo só pode ser possível com o amor.

Zero
Olhando pelo lado científico o roteiro escrito por Cláudio Torres cita a Teoria da Relatividade, quando Einstein a publicou em 1905, deixou claro que o tempo não é absoluto como acreditava Newton, e ainda afirmou que o tempo e o espaço são um só, o que significa que o tempo acompanha o espaço e se tivermos uma grande massa ou uma velocidade superior ou igual à da luz o tempo passaria devagar. Stephen Hawking no livro Uma Breve História do Tempo introduziu a Teoria das Cordas, que é basicamente um buraco pelo qual somos transportados a outra realidade, na qual poderíamos encontrar um “outro eu”. As leis da física comprovam tal possibilidade, mas nossa tecnologia inviabiliza qualquer tipo de “máquina do tempo”. Quando Zero consegue uma fonte de energia capaz de alimentar sua máquina conseguiu viajar no tempo, estas definições físicas fundamentam todo o roteiro e seus desdobramentos.


Tempo Perdido:


Wagner Moura é fã assumido da banda brasiliense Legião Urbana e foi convidado por Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá para um tributo à banda após O Homem do Futuro. O show foi motivo de críticas por parte da mídia em 2012 devido às notáveis desafinadas de Moura como vocalista do tributo. Polêmicas a parte a trilha é um elemento marcante no filme, Tempo Perdido, além de ser a canção que acondiciona o casal ao nível de romance, age também como elemento subliminar, por exemplo, ao retratar o tempo perdido de duas pessoas que são tão jovens ainda que estejam separados por vinte anos. Outro destaque é a regravação feita por Moura de Creep sucesso da banda inglesa de rock alternativo Radiohead, que aumenta a filosofia contida nas cenas em que é executada.


Confira o trailer:


Apesar de ser um filme simples e despretensioso o conteúdo é extremamente agradável e renovador para o cinema nacional saturado de comédias vazias e apelos sexuais.

Que o cinema esteja conosco, afinal, somos tão jovens.


O Homem do Futuro (2011) on IMDb