31 de janeiro de 2014

Alabama Monroe (2012)

Alabama Monroe nos ensina que a vida é mais bela tendo uma religião, mas não menos trágica. Baseado na peça de teatro escrita por Johan Heldenbergh e adaptada para as telonas por Felix Van Groeningen. O filme narra a vida de Didier – vivido pelo próprio Heldenbergh – e Elise – interpretada pela atriz Veerle Baetens. Ele é um músico, mas nem por isso sensível, ateu convicto ele acredita que a morte é o fim e ponto. Ela é tatuadora, direta e possui uma visão de Deus que confronta os ideais de Didier. A montanha russa emocional proposta por Groeningen desfragmenta o tempo da história que é revelada pouco a pouco sem seguir uma ordem cronológica. O que torna o drama mais interessante e mais leve.

O longa belga The Broken Circle Breakdown (Alabama Monroe no Brasil) é o representante da Bélgica no Oscar 2014, ao lado do italiano A Grande Beleza são os grandes favoritos. Ambos abordam temas existenciais, vida e morte, o último mais poético já o primeiro político e em determinados pontos cético e fervoroso. Logo no início somos apresentados à filha do casal Maybelle – Nell Cattrysse – que está em tratamento contra o câncer. Ao observar o sofrimento da filha Didier é duro contra o governo dos Estados Unidos, principalmente ao ex-presidente George W. Bush, que retardaram o estudo das células tronco por crenças religiosas. Na Bélgica, país de maioria ateia, tanto o estudo quanto o uso das células tronco para cura contra o câncer são permitidos. É indiscutível que avanços significativos no uso de tal técnica seriam alcançados caso os Estados Unidos tomassem frente no estudo das células tronco. Esse é o estopim da revolta de Didier e o início do desentendimento entre ele e sua esposa, o que leva a um desfecho inesperado.


A trilha sonora é toda composta por bluegrass estilo musical oriundo do country e originário dos Estados Unidos. O filme ajudou a divulgar bluegrass na Bélgica, segundo Groeningen, a banda que toca no filme se apresentava em média cinco vezes ao ano, agora esse número é mensal, Heldenbergh aprendeu a tocar banjo durante as filmagens para gravar suas cenas. Seu estilo xucro remete aos cowboys norte americanos, mas com ar questionador e cético. Quando sua filha o pergunta para onde vão as coisas que morrem ele fica confuso, o natural seria poetizar sobre o destino das almas, criar um paraíso para os pássaros, mas sua resposta foge completamente à metafísica ao sugerir que devemos apenas jogar fora o que não possui mais vida. O que dizer a nossos filhos? No que acreditar? São os questionamentos que nos prendem durante a exibição da obra. Uma das passagens mais interessantes do ceticismo de Didier está ligada à morte dos pássaros que se chocam contra sua varanda de vidro, ele insiste que isto deveria estar impresso em seu DNA, eles deveriam saber a diferença entre o vidro e um campo aberto.


Alabama Monroe vem agradando a crítica especializada principalmente europeia. Venceu o prêmio do público no Festival de Berlim e Baetens foi agraciada com o prêmio de melhor atriz no EFA, competindo com Keira Knightley e Naomi Watts e também como melhor atriz no Festival de Cinema Tribeca. Já em solo norte americano foi indicado a melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro perdendo para A Grande Beleza. É fato que assuntos que abordem religião e posições contrárias, tanto à política quanto às crenças da população dos Estados Unidos, causa asco ao público estadunidense. Se esses parâmetros forem utilizados na disputa do Oscar o filme italiano toma a dianteira.


Confira o trailer:


E que o cinema esteja com vocês!


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