15 de março de 2014

Rush (2013)

No limiar de vinte anos sem acidentes fatais no circo da Fórmula 1, desde o fatídico 1º de maio de 1994 quando um dos maiores ídolos do esporte nacional, Ayrton Senna, chocou-se em Ímola, Itália, não tivemos nenhuma baixa entre os pilotos, justamente agora Rush traça o cenário da temporada de 1976, época em que pelo menos dois pilotos morriam em decorrência de acidentes em pista e pela falta de proteção dos antigos carros. A disputa acirrada pelo título daquela temporada se deu entre os dois protagonistas da obra de Ron Howard, Niki Lauda e James Hunt, e narra em detalhes os momentos de tensão e euforia vivenciados pelos pilotos da principal categoria de automobilismo do mundo. Longe de ser um filme sobre Fórmula 1, carros ou corridas, Rush é um retrato de determinação, amor e acima de tudo motivação, que muitas vezes surge de onde menos esperamos.

Lauda e Hunt
Rush (Rush – No Limite da Emoção, no Brasil. Rush – Duelo de Rivais, em Portugal) entra a fundo na rivalidade entre o austríaco Niki Lauda (Daniel Brühl) e o inglês James Hunt (Chris Hemsworth), o roteiro escrito por Peter Morgan possui algumas licenças poéticas que transformaram a história de forma positiva. Carros originais da época foram cedidos por colecionadores e usados na produção, algumas pistas fielmente reconstituídas e apenas três de verdade foram usadas como locação. Um trabalho primoroso que traz detalhes que nem pilotos que ali estavam recordavam. Brühl recebeu elogios do próprio Lauda pela representação do ex-piloto que hoje, aos 64 anos, é executivo da equipe Mercedes.

Rush faz com que qualquer fã de Fórmula 1 suspire e lembre com uma ponta de nostalgia das grandes disputas vividas por grandes pilotos que desafiavam as leis da física, assim como o austríaco Niki Lauda que realizou um trabalho grandioso no ajuste de seu carro antes da era da tecnologia e informação na qual vivemos. Ele sentia o carro como se fosse uma parte de seu corpo, tal sensibilidade o fez ir mais longe e alcançar três títulos mundiais (1975, 1977 e 1984). Sua rivalidade com Hunt lembra muito a de Senna e Prost, mas ao contrário do que mostra o filme eles não eram inimigos e não se odiavam, muitos desentendimentos mostrados no filme não são reais, como, por exemplo, antes do início da corrida na Alemanha em Nurburgring Lauda pediu o cancelamento, mas Hunt não o acusou de fazê-lo apenas por estar na liderança do campeonato.

Confira o trailer:


James Hunt viveu muitas polêmicas na época em que corria, seu casamento com Suzy Miller (Olivia Wilde) e a separação depois que ela o trocou pelo ator Richard Burton. Após a saída das pistas sua vida foi discreta, ganhou o título em 1976 e posteriormente tirou o pé, como se quisesse apenas provar para si mesmo e para o mundo que era sim capaz de vencer um campeonato. Ao se aposentar das pistas em 1979 tornou-se comentarista esportivo e faleceu em 1993 aos 45 anos vítima de ataque cardíaco. Apesar de ter apenas um único título que foi conquistado justamente no ano em que Lauda se acidentou, o que tirou de duas provas, Hunt estava com 26 pontos contra 52 de Lauda no meio da temporada e após quatro vitórias contra apenas um terceiro lugar de Lauda na fase final da competição sagrou-se campeão na última corrida realizada no Japão com uma ultrapassem no fim da prova. No Grande Prêmio do Japão de 1988, Ayrton Senna liderava sob forte chuva, o comentarista Hunt disse: "A não ser que haja uma interferência divina, estamos olhando o novo campeão mundial." Após esse episódio ele sempre foi lembrado por isso. 

E que o cinema esteja com vocês!


Rush: No Limite da Emoção (2013) on IMDb

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