Já dizia a canção: “Não existiria som se não fosse o silêncio*.”
Utilizando essa fórmula Kleber Mendonça Filho lança seu primeiro filme de
ficção. Comparar O Som ao Redor a
obras de ficção científica que se valem do som e de imagens não é exatamente a
façanha que o diretor pernambucano alcançou. Ela vai mais além. O filme é
alçado como uma das melhores produções brasileiras dos últimos anos. Está entre
as dez produções elencadas pela respeitável lista do The New York Times de melhores filmes do ano. Ao lado de produções
como Lincoln, Django Livre e Amour. Ganhador de inúmeros prêmios e
elogios dos mais distintos segmentos culturais, tantos que seria preciso muitas
páginas para citar, enfim, O Som ao Redor
é um dos favoritos às indicações de melhor filme estrangeiro do Oscar 2014.
E se não agrada a gregos troianos em um país de cegos, ao menos renova as
forças de nosso cinema tão saturado de comédias vazias, mas que enchem salas de
cinema e nos deixam mais burros a cada nova exibição.
20 de outubro de 2013
16 de outubro de 2013
A Caça (2012)
Escrito e dirigido por Thomas
Vinterberg, A Caça (Jagten) usa como
estopim moral o abuso sexual que explode numa trama intricada e revestida de
hipocrisia e valores conservadores. As discrepâncias sociais e comportamentais
com base nos juízos de valor definidos pela cultura milenar dinamarquesa são o
mote da história. Vinterberg ganhou notoriedade após o longa Festa de Família (1998) que também
aborda abuso sexual, desta vez o patriarca é o alvo do drama que desce mais
amargo que A Caça. Mads Mikkelsen
interpreta Lucas e não lembra nem de longe o cínico Hannibal Lecter do seriado
Hannibal, ao contrário, sua atuação brilhante é digna de pena e reflete as
injustiças cometidas contra seu personagem. Mikkelsen ganhou o prêmio de melhor
ator por seu papel no Festival de Cannes em 2012. É o indicado da Dinamarca
para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2014. O filme conta
ainda com a atriz mirim Annika Wedderkopp e com o veterano Thomas Bo Larsen.
29 de setembro de 2013
Homeland
Estreia logo
mais nos Estados Unidos a terceira temporada de Homeland, a menina dos olhos do canal a cabo
Showtime. Após a pífia despedida de Dexter, pelo mesmo canal, Homeland
tenta manter a boa
fase criativa que fez alcançar status
de fenômeno ao tratar o terrorismo de forma inovadora. Vencedores do Emmy pela
atuação no seriado, Claire Danes, venceu em 2012 e 2013, e
Damian Lewis, vencedor em
2012, interpretam Carrie
Mathison e o Sargento Nicholas Brody, que era prisioneiro de guerra da Al-Qaeda e retorna a seu país com
honraria de herói, mas se vê diante da agente da CIA Mathison, que credita a
soltura dele a um novo e ousado plano terrorista para destruir os Estados
Unidos.
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Emerson Silva
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22:42
26 de setembro de 2013
Dexter – Remember the Monsters?
Quantas vezes paramos para pensar
sobre nossa vida, nossas escolhas e aonde elas nos levaram. Os motivos que nos movem
à esta introspecção são muitos, geralmente grandes perdas geram grandes abismos
em nossa realidade. Quantas coisas poderíamos ter feito de forma diferente e
quão difícil é lidar com as consequências de nossos atos. Toda essa filosofia é
o que restou de Dexter. Aos fãs acostumados com seus valores morais e éticos
que transformavam a sociedade em meros cães de estimação escravos da ração
capitalista e completamente alienados por seus desejos impossíveis de serem
realizados, encontraram nesta última temporada um Dexter ainda mais relapso e
amolecido. Ele tornou-se humano, demasiadamente humano!
21 de setembro de 2013
Sobre Meninos e Lobos (2003)
Clint Eastwood
é conhecido pela mão firme com que dirige seus dramas e pela primazia na
composição de suas trilhas. Em Sobre
Meninos e Lobos (Mystic River, 2003) não é diferente, a história nos
envolve de forma comovente com traços reais e intimistas que são realçados pelas
canções de andamento calmo e introspectivo. Os atores foram levados por
Eastwood a uma autoflagelação artística que tem como resultado uma película
casual e amistosa que se torna agressiva e amarga com o desenrolar dos fatos.
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Emerson Silva
às
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14 de setembro de 2013
WALL•E (2008)
Uma das grandes obras de arte de nosso
século é a animação da Pixar WALL·E.
Baseado na ideia original de Pete Docter e Andrew Stanton do início da década
de 90, de como seria a vida de um robô que estivesse sozinho em uma Terra
desolada e destruída. Com o passar dos anos a história ganhou corpo e apoio
dentro da Pixar até se transformar em um marco visual do cinema. Descrito pelo
próprio Stanton como uma gramática visual, WALL·E
nos remete aos primórdios da indústria cinematográfica dos filmes mudos de
Georges Méliès, criador dos efeitos especiais, que na época não passavam de
efeitos visuais e jogos de câmera. O vencedor do Globo de Ouro e Oscar de
melhor animação aparece no topo da lista da revista Time como melhor filme da década passada.
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