26 de dezembro de 2013

Jobs (2013)

O malfadado Jobs não representa nem a sombra de Steve Jobs. Ashton Kutcher, apesar de ter desempenhado o melhor papel da carreira, apenas caricaturou o genial criador da Apple no que parece mais uma de suas comédias adolescentes, principalmente o modo de andar e o olhar fixo que não esconde a ambição e foco de Jobs, mas sim, no papel de Kutcher, o riso da falta de seriedade de sua atuação forçada. Seja pela pressa em apresentar algo de forma oportunista sobre o criador do i-Pod, ou pelo despreparo de toda equipe em realizar obra tão grandiosa, a verdade é que Jobs não espelha o tamanho do que almeja e muito menos o tamanho de quem retrata.

18 de dezembro de 2013

Invictus (2009)

A morte de Nelson Mandela no último dia 05 de dezembro alçou o líder à imortalidade imprimindo seu nome na história e elevando sua memória ao panteão do qual fazem parte Gandhi e Martin Luther King. Um homem que lutou em prol da igualdade racial e direitos humanos sempre de forma pacífica. No período de 27 anos em que esteve preso Mandela buscou inspiração em um poema e o viu como raio de luz que emanava por entre as grades de seu confinamento arbitrário: “não importa o quão estreito seja o portão e quão repleta de castigos seja a sentença, eu sou o dono do meu destino, eu sou o capitão da minha alma”. O poema escrito em 1875 pelo britânico William Ernest Henley foi a trilha que guiou a luta pela vida e liberdade à qual Mandela recuperou somente em 1990. Em 1994 venceu as eleições presidenciais da África do Sul tornando-se, ironicamente, o primeiro presidente negro de seu país. Em 2009 Clint Eastwood dirigiu Invictus, que assim como o poema de Henley nos inspira a sermos melhores não apenas fisicamente, mas espiritualmente, inspira força, inspira paz, inspira Nelson Mandela.

15 de dezembro de 2013

Dogville (2003)

Lars Von Trier é um dos diretores mais pretensiosos do cinema, o que por vezes beira a arrogância, mas, de acordo com Dogville, o excesso de servidão também é considerado arrogância pela natureza de quem a pratica confrontada com quem a recebe. Não podemos deixar de admirá-lo pelas obras fortes e polêmicas. O que não é diferente em Dogville, lançado em 2003 chegando como favorito a Cannes e sendo superado por Elefante. O longa possui idealismo e conteúdos forte e brutal, o que torna a tarefa de descrevê-lo completamente ingrata. O filme trata de questões filosóficas, mitológicas e religiosas, mas a maior parte das evidências aponta para uma crítica cristã e ao modo de vida americano – American way of life.

12 de novembro de 2013

Elefante (2003)

A vitória de Elefante sobre o favorito Dogville, de Lars Von Trier, no Festival de Cannes de 2003 veio como surpresa. Ambos abordam o terrorismo doméstico em virtude do abuso moral. Baseados nas falhas do “American Way of Life” Elefante e Dogville tecem críticas ao modo de vida e política dos norte americanos. Inspirado no Massacre de Columbine, Gus Van Sant nos mostra um dia comum na Escola Secundária de Portland, exibindo seus alunos em atividades curriculares e a interação com os colegas, nem sempre amigável, resultando em bullying e abuso moral. Sant filmou Elefante (Elephant) de modo despretensioso, embora a obra seja de incalculável preciosismo, enquanto o adjetivo que mais se encaixa no perfil de Trier é a pretensão, seja em Dogville ou em qualquer trabalho de sua autoria.

4 de novembro de 2013

Senna (2010)

Quando era criança meu maior herói não tinha superpoderes, não caçava homens maus e não estava em revistas de quadrinhos. Mas ele tinha algo especial, enquanto nosso país sofria pela má administração, pela pífia distribuição de renda, existia um brasileiro que nos dizia ser possível sonhar, bastava acreditar e ser perseverante que o mundo estava logo ali. Em um país que não desiste nunca Ayrton Senna tornou-se um dos maiores desportistas e quiçá o maior brasileiro de todos os tempos, pois carregava nossa bandeira a mais de 200 Km/h pelos mais diversos países e enfrentava adversidades maiores que as dimensões de sua terra natal. O documentário Senna de Asif Kapadia conta a breve história de Ayrton Senna no período de 1978 a 1994 e no limiar da segunda década sem nosso maior guerreiro é impossível não se emocionar com seus feitos e conquistas.

29 de outubro de 2013

O Silêncio dos Inocentes (1991)

Para comemorar 1 ano do Cinematógrafo um filme especial: O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs) é um retrato amargo da loucura intelectual que assusta, mas ao mesmo tempo fascina. Pintado na tela escura de nosso subconsciente com tons mórbidos e sombrios realçados com a frieza da transformação. Clássico do suspense por vezes enquadrado no gênero terror, o filme recebeu 5 dos principais prêmios do Oscar, foi apenas a terceira vez que isso ocorreu em toda a história, com melhor filme, direção, roteiro adaptado, melhor ator e atriz, O Silêncio dos Inocentes tornou-se um dos maiores filmes da década de 90 e marcou a carreira de Anthony Hopkins e Jodie Foster graças a espetacular direção de Jonathan Demme.