13 de janeiro de 2013

Looper (2012)


Looper é mais uma boa surpresa do cinema de 2012. Confesso que não sou fã de filmes de ação, mas quando o protagonista é Bruce Willis esta concepção pode ser diferente. Este é o caso! Looper é a denominação dos assassinos do presente que matam pessoas enviadas do futuro por uma companhia em Xangai. O presente do filme é o ano de 2042 enquanto seu futuro passa-se em 2072. Imaginem o que ocorre quando um Looper descobre que sua vítima é ele mesmo 30 anos mais velho? Em cima dessa perspectiva o filme é desenvolvido.

Joseph Gordon-Levitt
A primeira parte do filme é sonolenta. A segunda aborda a caçada de “Joe” Simmons (Joseph Gordon-Levitt) do presente a seu eu (Bruce Willis) do futuro. Esta intricada realidade complexa faz lembrar De Volta para o Futuro e o cuidado com que o Professor Brown tinha com os acontecimentos que poderiam mudar a história, principalmente quando se estava no passado. Em Looper, aparentemente, isso não importa, mas então percebemos que isso não é verdade.

Já li algumas críticas que apontam o filme como mais uma viagem no tempo. Estão enganados. O filme aborda uma possível existência cíclica e condicional. Como se o destino guiasse os passos de cada um até seu ponto de partida. É estranho pensar que pessoas que vieram do futuro não afetam o próprio futuro ou que estão condicionados ao mesmo destino. Nossa vida aprisionada a um mapa da existência no qual não importa para onde vamos, o destino será o mesmo. E quando pensamos que não há escolhas surge alguém e desmonta toda a teoria que fundamos durante toda nossa existência.

Na caçada a “Joe” do futuro Gordon-Levitt se refugia em uma fazenda, cuja dona, Sara (Emily Blunt), vive isolada em uma fazenda empunhando uma arma sempre que algum barulho surge em seu quintal e apenas com seu filho que não a reconhece como mãe, é um quadro perfeito para neurose! A atuação de seu filho, interpretado por Pierce Gagnon de apenas sete anos é assustadora e arrepiante.

Emily Blunt
Temos ainda Jeff Daniels que interpreta um integrante da companhia de Xangai vindo do futuro para representar os patrões. A atuação de Gordon-Levitt e a de Pierce Gagnon já valem o filme, que conta com um final hipnótico. Confesso que fiquei literalmente boquiaberto e pasmo por alguns segundos e quando entra em cena a última canção do filme, um blues típico dos anos sessenta com uma leve mistura de música moderna, somos obrigados a refletir em nossa condição e existência, como se essa trilha sonora nos trouxesse de volta à realidade com um soco no estômago!

Créditos da imagem de Pierce Gagnon: http://www.facebook.com/pages/Logan-Evans-One-Tree-Hill-Pierce-Gagnon/244131489013941
O diretor e roteirista Rian Johnson criou uma trama sólida e com desfecho quase perfeito, não fosse por seu início intrincado seria uma obra maior. Para aqueles que torcem o nariz para Willis imaginem seu papel em Pulp Fiction, amistoso e agressivo, durão e romântico. O filme conta com duas cenas lendárias. A primeira quando Willis é acuado pelos agentes da companhia e tal qual o personagem de Clint Eastwood no fim de Os Imperdoáveis, ele age de forma impecável. Já o fim do filme é sem dúvida o melhor dos filmes de 2012 e daqueles que dá vontade de gritar um palavrão para o diretor. Sem dúvida uma boa surpresa, tanto no presente quanto no futuro!


Confira o trailer:

E que o cinema esteja com vocês!