4 de fevereiro de 2013

Ferrugem e Osso (2012)


Ferrugem e Osso confirma o ótimo momento do cinema francês. Tivemos O Artista e Intocáveis, Amour, que pode não ser completamente francês, possui atores e idioma da Cidade Luz. De Rouille et D’os perdeu a briga para a indicação do Oscar para o sucesso de bilheteria Intocáveis, que surpreendentemente ficou fora da lista final do maior prêmio cinematográfico distribuído por Hollywood. O filme franco-belga dirigido por Jacques Audiart, aclamado diretor de O Profeta, e estrelado por Matthias Schoenaerts e Marion Cotillard, guarda o melhor para o fim, mas possui uma atratividade dramática durante todo o desenrolar da trama.


Cotillard comprova que é o expoente máximo do cinema francês em Los Angeles, sua não indicação ao prêmio de melhor atriz deixou muita gente aborrecida, não é pra menos, a atuação da francesa, que surgiu para o mundo ao interpretar Édith Piaf em Piaf – Um Hino ao Amor foi muito bem recebida pela crítica internacional, merecia ao menos uma indicação. Schoenaerts também foi muito bem interpretando Ali, um pai ausente que parece lutar contra si para melhorar sua imagem diante do filho.

Ali e seu filho
O filme mostra um lado negro dos humanos, enquanto Ali deixa seu filho de lado como pai, se oferece para ajudar uma desconhecida. Dedica tempo e atenção a ela, mas não possui a mesma dedicação com seu filho. Entender e observar esse ponto da história é importante para o desfecho que pode parecer sem nexo ou jogado ao vento. Dentro desse propósito Schoenaerts consegue desempenhar essa bipolaridade de forma brilhante, alternando despreocupação com uma carga dramática intensa e assustadora.

A personagem de Cotillard, Stéphanie, é mais enigmática e misteriosa. Não possui uma personalidade definida ou clara e pouco se transforma durante o decorrer da trama, mas quem pensa que se trata de uma frieza interpretativa está enganado. Este é o ponto de destaque de sua atuação. Nota-se que esse comportamento é característico da personagem, o que a encaixa no perfil de Ali, que tende a ser desapegado a responsabilidades e compromissos, logo o perfil dos dois se encaixa, ela um pouco submissa e ele um pouco relaxado. Cotillard consegue expressar exatamente o que se espera de sua personagem, carga dramática e depressiva e um lado mais coordenador e responsável, até que ambos se tornem diferentes em decorrência do andamento e dos fatos do filme.

Confira o trailer:



Marion e Schoenaerts
Ferrugem e Osso é baseado nos contos Rocket Ride e Rust and Bone do livro Rust and Bone do canadense Craig Davidson. O filme competiu pela Palma de Ouro no Festival de Cannes e recebeu duas indicações para o Bafta e para o Globo de Ouro. Pode ser um filme pesado para quem possui filhos, pode incomodar, mas nos leva a um êxtase reflexivo incomparável e termina de forma coesa e segura.

Que o cinema esteja com vocês!