15 de novembro de 2012

A Invenção de Hugo Méliès


O filme Hugo é praticamente uma rendição de Martin Scorsese ao gênio inventivo e ilusionista Georges Méliès. A Invenção de Hugo Cabret recebeu 11 indicações ao Oscar desse ano e faturou 5 estatuetas. Foi o primeiro trabalho do veterano Scorsese, que completa 70 anos em 17 de novembro, com animação 3D. O roteiro escrito por John Logan (Gladiador, O Aviador), que recentemente participou do roteiro de Skyfall, no retorno de 007 às telas do cinema, foi baseado no livro homônimo de Brian Selznick.

Pode não ser um dos melhores filmes de Scorsese, até por tratar de um tema sem limitação etária, o que, teoricamente não seria o forte do diretor, mas Hugo tem seu brilho. Apontado por James Cameron como o melhor filme a utilizar a técnica 3D, o longa figurou entre os maiores vencedores do Oscar 2011, o que não é novidade para o diretor, que apesar de ter ganhado apenas um Oscar de melhor direção por Os Infiltrados, já soma 20 prêmios dentre os filmes que dirigiu.

Hugo e seu pai consertando o autômato
Hugo Cabret, interpretado por Asa Butterfield (O Menino do Pijama Listrado), vive na estação ferroviária de Gare Montparnasse em Paris, sob a tutela de seu tio, que mantém o funcionamento dos relógios da estação. Seu pai, que teve a discreta atuação de Jude Law, faleceu em um incêndio do Museu que abrigava as obras de Georges Méliès, deixando a seu filho um autômato, o qual Hugo considera a herança de seu pai, fazendo de tudo para consertá-lo acreditando que ele possua uma mensagem secreta de seu progenitor.

Cena clássica de Viagem à Lua de 1902
Em busca desse objetivo o menino rouba peças de uma loja de brinquedos de Papa Georges, interpretado por ninguém menos que Sir Ben Kingsley, que o apanha e com ele um caderno pertencente ao pai de Hugo. Os inúmeros desenhos do autômato contidos no caderno despertam o interesse de Georges. Visando reaver a lembrança de seu pai, o garoto se aproxima da neta do vendedor de brinquedos, Isabelle, Chloë Moretz (Kick-Ass, Sombras da Noite). Em suas aventuras descobrem desenhos de antigos filmes de Méliès, como um dos maiores ícones visuais do século XX proveniente da Viagem à Lua (La Voyage dans La Luna) de 1902.

Méliès
George Méliès é considerado por muitos o verdadeiro pai do cinema. Esteve presente na lendária apresentação que os Irmãos Lumière realizaram em Paris com a primeira projeção de um filme na história. Méliès, a partir de então, ficou fascinado com o cinematógrafo e pediu aos Lumière uma cópia, eles reclinaram em todos os pedidos, ele então começou a inventar tudo a seu redor, o resultado foi o cinema.

Estúdio Star-Films, o primeiro da história
Méliès, filho de um mágico, foi ilusionista, desenhista, decorador, ator, produtor e diretor, o que lhe ajudou a inventar o cinema de ficção científica e os efeitos especiais. Implementou os roteiros, figurino, maquiagem e construiu o primeiro estúdio de filmagem da história, a Star-Films, que possuía iluminação artificial e natural, cenários removíveis, camarins e até um espaço para os atores se preparem com maquiador e figurinista. Tudo isso à partir do protótipo de cinematógrafo que lhe foi dado pelo inglês Robert William Paul. Todo o molde do que viria a ser a indústria cinematográfica foi criado por ele.

A importância de Méliès para o cinema foi além, chegou a ser considerado o melhor cineasta do mundo. Charlie Chaplin o chamava de O Alquimista da Luz e D. W. Griffith disse: a ele tudo devo. Mas por um grande capricho do destino ou vingança (quem sabe), já que os que conseguem recriar a vida em forma de arte acabam morrendo na miséria, esquecimento ou não tem seu valor reconhecido. É o caso de Orson Welles, Chaplin, Ed Wood e o próprio Méliès. No início da primeira grande guerra, seus filmes perderam a popularidade e ele próprio não conseguiu acompanhar os estúdios que surgiam, foi à falência e, como é retratado em Hugo Cabret, terminou sua vida vendendo brinquedos no anonimato.


Confira o trailer do filme abaixo:


Mélies atuando
A Invenção de Hugo Cabret é um retrato dramático dos últimos anos desse gênio do cinema, a quem devemos praticamente tudo em questão da sétima arte. Méliès dirigiu mais de 500 filmes, incluindo curtas e longa metragens.


Que o cinema esteja com vocês!