18 de novembro de 2012

Gênio Indomável (1997)


Estou contando as horas para a nova parceria de Gus Van Sant e Matt Damon que deverá estrear ainda este ano nos Estados Unidos, chamado Promised Land. Além de Gerry, filme de 2002, os dois realizaram Gênio Indomável, que marcou a parceria de Damon e Ben Affleck, amigos de infância, como roteiristas, foram agraciados pelo Oscar de melhor roteiro original de 1998 por Gênio Indomável. Robin Williams ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante e Van Sant foi indicado para o prêmio de melhor diretor. Ao todo foram nove indicações, incluindo melhor filme.

É inegável que este foi um marco em minha vida, talvez pelo fato de estar entrando na adolescência e ter o sentimento de rebeldia aflorando, talvez por querer ser o gênio incompreendido no meio de tantos que só buscavam diversão, naquela época ainda valia o “sexo, drogas e rock’n roll”. Eu preferia ficar em casa e assistir um bom filme. Foi quando vi Gênio Indomável pela primeira vez e que se tornou o meu predileto entre alguns outros clássicos aos quais me identifico de forma absurda.

Professor Gerald Lambeau
O filme possui uma combinação de fatores que o eleva a outro patamar na sétima arte. Will Hunting (Matt Damon) e Chuckie (Ben Affleck) são amigos inseparáveis, juntamente com Morgan (Casey Affleck) e Billy (Cole Hauser) formam um grupo unido. Will trabalha como faxineiro em uma faculdade e por diversão resolve as equações que o professor Lambeau (Stellan Skarsgård) deixa em uma lousa no corredor para seus alunos. O caso desperta o interesse de todos, pois as equações são muito difícies e nenhum dos alunos admite conseguir resolvê-las.

Will parece não ligar para sua facilidade com os números, se mete em inúmeras confusões e chega a ser preso. O professor Lambeau descobre seu paradeiro e o retira da prisão, sob a condição de que ele frequente um terapeuta. Após inúmeras tentativas frustradas um amigo de Lambeau se dispõe a tratar de Will, Sean Maguire, que teve a emocionante atuação de Robin Williams, consegue entrar na cabeça de Damon e descobre um passado de violência e abandono que forjaram uma rebeldia como forma de escudo contra o mundo.

Williams e Damon em uma das melhores cenas do filme

Elliott Smith
A trilha sonora de Elliott Smith aguça a melancolia e nos atira em um mundo que busca lucratividade contra pessoas que só buscam viver a vida de forma simples. Miss Misery foi indicada ao Oscar de melhor canção perdendo para a comercial Celine Dion e o tema de Titanic. Em 2003 ele faleceu sob circunstâncias duvidosas e sendo a autópsia inconclusiva. As duas facadas que levou no peito podem ter sido desferidas por sua namorada, com a qual passava por tempos difíceis ou podem ter vindo dele próprio em um suicídio sem explicação. O fato é que esses acontecimentos aumentaram meu fascínio pelo filme e pelas canções, talvez pela veracidade das músicas e do roteiro, escrito por dois amigos como uma aventura em um mundo no qual a amizade é mais importante que qualquer outra coisa.


Elliott Smith cantando Miss Misery no Oscar 1998


Chuckie e Will
Chuckie sempre desejou um futuro melhor para Will, ele trabalhava em demolições de construção civil e dizia não querer o mesmo para Hunting. Em um diálogo entre os dois Chuckie diz a Will que seu maior sonho é passar de manhã em sua casa  e ver que ele não está lá. Simplesmente se foi, sem adeus ou até logo. Quando isso ocorre o sorriso de Affleck deseja boa sorte ao amigo e sua expressão revela o orgulho daqueles que admiram os amigos que possuem.


Que os amigos estejam com vocês!