20 de novembro de 2012

Ed Wood (1994)

Johnny Depp interpretando Ed Wood
Edward Davis Wood Jr. foi um sujeito estranho interpretado em um filme homônimo por Johnny Depp, outro sujeito estranho, tendo sido dirigido por Tim Burton, mais estranho ainda. O resultado não poderia ser outro, uma comédia com a cara de Depp e assinada por Burton. Assim é Ed Wood, filme biográfico do considerado pior diretor de todos os tempos.

Wood segue a linha oposta de diretores revolucionários no quesito efeitos especiais, como George Lucas e Georges Méliès. Estes dois buscaram na tecnologia e nas brechas que estas propiciam: efeitos e ilusões de ótica. Já Wood criava seus efeitos através da imagética e utilizava qualquer coisa que se parecesse com o que ele queria filmar. Cenas descontínuas e sem cronologia podem ser vistas em seus filmes.

Béla Lugosi e Tor Johnson
Ele foi o responsável pelos últimos filmes de Béla Lugosi, célebre intérprete do Conde Drácula. Também é o responsável pela inserção de Tor Johnson no cenário artístico, ator sueco ex-lutador de luta livre que até hoje empresta sua expressão às abóboras de Halloween. O filme de 1994, rodado todo em preto e branco, ilustra bem a relação de Wood com seus atores. Que contou com a presença do místico Criswell, conhecido por prever o futuro de uma forma um tanto quanto estranha, e a atriz finlandesa Maila Nurmi, por quem Ed tinha grande obsessão, porém, ela realizou apenas um de seus filmes e sem falas, justo o que é considerado o pior filme de todos os tempos: Plano 9 do Espaço Sideral. Hoje em dia ele é tido como clássico da cultura Cult e Wood tornou-se símbolo cultuado dos fãs do cinema trash.

Tim Burton
Tim Burton é um dos admiradores de seu trabalho, talvez por isso a Disney o tenha demitido após a gravação da primeira versão de Frankenweenie (curta metragem) em 1984, ironicamente o filme mais rentável de Burton surgiu após a retomada da parceria com a Disney, Alice no País das Maravilhas faturou mais de 1 bilhão de dólares e figura entre os 20 filmes mais lucrativos da história. Se o reconhecimento de Burton veio depois de muita batalha o mesmo ocorreu com Wood, no entanto, este já não estava vivo para gozar de seu reconhecimento.

Wood possuía uma mania estranha, se vestia com roupas femininas por debaixo dos paletós. Ele retratou isto em seu filme Glen or Glenda, no qual o protagonista é vítima de um trauma de infância, sua mãe queria uma filha, por isso vestia o filho de mulher. Ed deixa claro que é heterossexual, mas que se sente mais confortável com trajes femininos.


Assista o filme completo:


A amizade com Béla Lugosi é um dos pontos marcantes do filme e da vida de Ed Wood, Martin Landau recebeu o Oscar de melhor ator coadjuvante interpretando o inesquecível Drácula. Após a morte de Béla Wood utilizou as últimas imagens gravadas do amigo no longa Plano 9. Para as demais cenas conseguiu um dublê, que nem era muito parecido com Lugosi, mas o importante para Ed sempre foi a intenção. Rever Béla após sua morte é emocionante, mesmo que o longa não inspire muita seriedade. O notório deste longa, que se tornou o mais famoso de Wood, é a imagem do roteiro, que segue uma linha de raciocínio semelhante ao de Avatar. Alienígenas são requisitados para mostrar ao homem que a destruição de seus recursos naturais serve apenas para a degradação da própria raça humana e que o crescimento econômico das nações nada tem a ver com qualidade de vida, politicamente falando.

Ed Wood
Outro ponto de semelhança entre Burton e Wood, além da esquisitice é uma mulher. Ed sempre admirou Maila Nurmi, que apresentava um programa de filmes de horror, no estilo de nosso Cine Trash de Zé do Caixão, sua personagem, Vampira, é extremamente semelhante à Elvira, que inclusive venceu uma batalha judicial movida por Maila por plágio de personagem. Para interpretar o papel de Vampira, Burton escalou Lisa Marie com quem era casado na época. Hoje casado com Helena Bonham Carter, continua escalando a esposa para a maioria de seus filmes, a exemplo de Joe Coen, que dá papéis a sua esposa Frances McDormand para a maioria dos filmes que realiza com seu irmão Ethan.

Ed Wood pode não ter sido um cineasta brilhante, mas sua criatividade e imaginação o transformam em um verdadeiro artista, pois como disse o grande Charlie Chaplin: “Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação.”

Que o cinema esteja com vocês!